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Usuários afirmam que SINE está sendo usado como “curral eleitoral” em Parauapebas

Desempregados que fazem fila todos os dias na porta do Sistema Nacional de Emprego (Sine-Parauapebas) denunciam que as poucas vagas ofertadas através do órgão estariam sendo direcionadas à pessoas com apadrinhamento político de vereadores ligados à base aliada do Prefeito Valmir Mariano. O Coordenador do Sine na cidade, João Batista Everton diz que acusação é infundada.

Os denunciantes, porém, insistem que está havendo sim o direcionamento de vagas para apadrinhados de alguns vereadores já como moeda de troca visando as eleições deste ano. Segundo o vigilante Leandro Pereira da Silva, que há dois anos busca voltar ao mercado de trabalho, o que vem acontecendo é um desrespeito com as pessoas que madrugam na fila em busca de uma vaga de emprego.
Segundo ele, todos os dias o Sine afixa na parede as mesmas vagas de emprego, enquanto no sistema do órgão existiriam outras, que teriam como destino os apadrinhados desses vereadores. Fora isso, ele ainda afirma que algumas empresas continuam fazendo contratações de mão de obra de outros locais, deixando de fora quem mora em Parauapebas.


Outro que reclama da falta de oportunidade de emprego é Jarlisson Cardoso. Ele diz que além das ingerências políticas e de muitas empresas fazerem contratações em outras praças, ainda haveria a venda de vagas no órgão. “Enquanto isso, nós não temos a mínima chance. Todo dia a gente vem aqui e nunca tem vaga. Acho que vamos ter que radicalizar, para acabar com isso que acontece no Sine”, afirmou Jarlisson, que é carpinteiro amador.

O coordenador do órgão, contudo, assegura que as denúncias são improcedentes. Ele admite, como já declarou em outras reportagens, que antes de assumir o órgão, em setembro do ano passado, havia de fato algumas irregularidades, como a venda de vagas.
Segundo ele, essa prática foi completamente abolida. “Inclusive, todos os funcionários foram alertados a não aceitar qualquer coisa das pessoas que vem ao Sine em busca de emprego. Fui bem claro com eles, nem balinha é permitido”, afirma Everton, também negando que haja destinação de vagas a vereadores. “Isso não existe. Evidentemente que as pessoas falam, mas não há qualquer fundamento”, garante, assegurando também que as mesmas vagas afixadas na parede são as que constam no sistema do Sine.

Menos oferta

O coordenador, no entanto, reconhece que algumas empresas continuam fazendo contratações de funcionário em outras praças e isso diminui a oferta de emprego para que vive na cidade. “Essa é uma realidade que vivemos, mas não temos meios legais para impedir essa prática”, ressalta, informando que a realidade do mercado de trabalho ainda é crítica na cidade, porque a crise econômica levou a falência muitos estabelecimentos comerciais, que geravam emprego.

De acordo com João Batista, há uma expectativa de abrir vagas para a implantação da segunda fase do projeto Salobo, da Vale, mas sem data para que isso aconteça. “Uma das empresas terceirizadas responsáveis por essa obra já se instalou na cidade, mas ainda não abriu vaga, pelo menos não através do Sine”, observa.

Seguro Desemprego

Na contramão da oferta de vagas de trabalho, segue em escala crescente o atendimento para o seguro desemprego, mostrando que continua grande o número de demissões na cidade. Em janeiro, foram atendidas 1.340 solicitações do benefício; 909 em fevereiro; 1.155 em março; e 1.211 em abril.

Já as vagas de emprego ofertadas foram 41 em janeiro; 28 em fevereiro; 69 em março; e 333 em abril. Desse total, apenas seis pessoas conseguiram se empregar em janeiro; oito em fevereiro; seis em março e nenhum em abril.
Ou seja, a massa de desempregados continua crescendo na cidade, sendo mais de 23 mil, segundo os últimos dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

Reportagem: Tina Santos / Grupo Correio de Comunicação

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